Humor Negro

Brasileiro adora uma piada, né? É impressionante como rimos de qualquer desgraça. O mais aterrorizador é que adoramos isso, principalmente quando rimos da nossa própria desgraça.
Parece que ano de eleição também é um BBB. Muitos ficam de olho só pra rir com candidatos como o João Rasgado, o Só Alegria, o Samuel Silva, etc. A gente tem mania de gostar de pessoas que passam fome, temos mania de sentir dó. Adoramos saber que um barbudo foi eleito, construindo suas ânsias no escudo do ser humilde, simples, trabalhador e que nem se preocupa em ler e falar melhor. Elegemos o que nos parece não vir pra mudar, e sim o que mais tem cara de Burro do Shreck, não importando suas razões e ânsias no que tentar conquistar.
Nós gostamos de pensar que somos os melhores, e mesmo que saibamos (e o resto do mundo também) que não somos nem um poucos bons no que diz respeito à nossa própria saúde, nossas vidas tranqüilas, nossos filhos mais felizes, nós não nos preocupamos! Gostamos é de fazer piada sobre mensalão, caixa 2, careca, nove-dedos e assistimos a horários eleitorais e CPI's como se fosse a hora da decisão do BBB. E não fazemos mais nada. Nós nunca fizemos nada, por mais que a vida fosse sórdida. Por mais que muitos tenham sido mortos e outros tantos desaparecidos, nós não aprendemos a não nos render. Entregamos nossa alma à direção de sórdidos e mentirosos. De calhordas com fino trato e excelente lábia. Afrontamos nossos desejos e transferimos nossas realizações sempre para amanhã, claro que com todo o nosso jeitinho brasileiro. E paramos no tempo, esquecemos de respirar.
Nós desaprendemos a pensar. Não é que falta coragem. Falta pensamento. Falta idéia. Falta ação!
Fonte da imagem: http://sabem.blogs.sapo.pt




3 Comments:
Como uma amiga bem me lembrou:
Nietzsche dizia que tudo que é inesperado e repetido em palavras e ação, quando sobrevém sem perigo ou dano, o homem desafoga e passa ao oposto do temor, ele ri. Essa é a origem do cômico. Ao contrário, o trágico se origina posteriormente a uma grande e duradoura alegria para um grande medo, mas que como essa grande e duradoura alegria é mto mais rara q as ocasiões de angústia, há no mundo muito mais comicidade que tragédia, ri-se mto mais do q se abala.
Viva e deixe viver...
Pelo jeito o brasileiro respeita tanto esse provérbio que nem se importa em cobrar resultados de quem merece ser pressionado... e então entra no comodismo total.
De tanto "viva e deixe viver", vamos acabar morrendo sem conseguir saber o que é o exercício da vida. Nós queremos viver, mas não temos coragem pra vive bem, a gente só quer, fazer mesmo... affe, que chatice!!!!!
Beijo, PH!
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